O combustível tradicionalmente se destaca como o responsável pela maior fatia das despesas do transporte rodoviário e aéreo, especialmente em países de dimensões continentais como o Brasil. Com a volatilidade dos preços do petróleo e pressões geopolíticas, as projeções para 2026 indicam continuidade na imprevisibilidade desses custos, sobretudo diante da transição gradual para energias renováveis e híbridas. É válido ressaltar que, apesar de alternativas como eletrificação e biocombustíveis começarem a ganhar espaço, seus custos de implantação e manutenção ainda agregam desafios adicionais no curto prazo.
A mão de obra envolve despesas crescentes, impulsionadas por atualização das leis trabalhistas, aumento de demandas por capacitação profissional – frente à complexidade de novas tecnologias embarcadas – e persistente escassez de motoristas qualificados em alguns segmentos. Paralelamente, políticas de valorização da qualidade de vida e remuneração variável tornam o custo da força de trabalho mais dinâmico e menos previsível.
Quanto aos impostos, observa-se um movimento global de revisão tributária, com a possibilidade de incentivos para transportes menos poluentes e penalidades para modais mais impactantes ambientalmente. Isso tende a afetar diretamente a estrutura de custos de quem opera de forma convencional, já que se espera que legislações cada vez mais rigorosas para redução de emissões estejam vigentes em 2026.
A manutenção de frotas se torna mais complexa na medida em que veículos passam a agregar sistemas eletrônicos, sensores e telemetria. O benefício reside na maior durabilidade e previsibilidade das falhas, porém, existe o desafio do acesso a peças especializadas e à mão de obra técnica, encarecendo eventuais intervenções corretivas ou preventivas.
No que tange à infraestrutura, a necessidade de adequação das vias e terminais logísticos para atender veículos elétricos e automatizados impõe despesas para o setor público e privado. A adaptação às exigências tecnológicas e ambientais, além de investimentos contínuos em segurança viária e digital, tende a gerar repasses indiretos ao custo final do transporte.
Observando as tendências, três elementos destacam-se na composição futura dos custos logísticos: políticas de descarbonização promovidas por governos e organismos internacionais, pressão dos consumidores por entregas mais rápidas e flexíveis, e a já mencionada volatilidade do preço dos combustíveis. O crescimento do e-commerce, com demanda por last mile veloz e eficiente, reforça um ciclo exigente de novas soluções logísticas, impactando principalmente a capilaridade, densidade e flexibilidade das operações.
Diante deste cenário, a sustentabilidade financeira das operações logísticas até 2026 dependerá da capacidade de adaptação das empresas aos novos paradigmas regulatórios, ambientais e sociais, bem como da incorporação estratégica de inovações tecnológicas que serão detalhadas no próximo capítulo.



